Enfermeiros fazem vaquinha e conseguem dinheiro para bancar tratamento de colega com câncer

Exemplo de superação inspira colegas a ajudarem técnico de enfermagem em tratamento contra o câncer

Técnico de enfermagem há 16 anos, Rodrigo Guimarães, 35 anos, provocou uma corrente de solidariedade que uniu seus colegas do Hospital de Cardiologia de Porto Alegre. Depois de vencer um câncer no abdômen, em 2013, descobriu em janeiro do ano passado um câncer na costela.

Meses depois foi diagnosticado com paraganglioma metastático, com lesões cancerígenas espalhadas na coluna, costela, calota craniana e no pulmão. A maior surpresa de Rodrigo, porém, veio agora e foi positiva.

Seus colegas do Cardiologia se uniram para arrecadar dinheiro para pagar o tratamento, que não é oferecido pelo Sus, e garante qualidade de vida ao técnico, que trabalha também no Hospital Ernesto Dorneles e chega a ficar 18 horas por dia dentro dos dois hospitais.

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Pela gravidade do quadro, o tratamento de Rodrigo é voltado para os cuidados paliativos, com o intuito de evitar o avanço da doença.  No Hospital de Clínicas ele fez a aplicação de uma primeira dose de meta-iodo (medicamento usado em seu tratamento), em novembro do ano passado. Com o procedimento, é possível diminuir as lesões e conter as dores.

O endocrinologista Mauro Czepielewski explica que as lesões são afetadas pela radiação do medicamento, fazendo com que elas diminuam e amenizem os sintomas:

— Hoje, existem pessoas com a doença controlada usando repetidas doses de meta-iodo — afirma o médico.

Por não estar contratado no sistema de saúde do Ministério da Saúde, o tratamento não é oferecido pelo Sus e precisa ser pago pelo paciente. O custo da medicação e do ambiente em que ela precisa ser aplicada – o procedimento segue normatização internacional e o paciente fica em isolamento por três dias devido ao risco de radiação em outras pessoas – é de R$ 5 mil a cada aplicação, que deve ser feita a cada seis meses.

“Minha qualidade de vida não é ficar em casa”

Rodrigo vive no Bairro Jardim Leopoldina com a esposa, a também técnica de enfermagem Suriane, 36 anos, e a filha Aline, 12 anos. A doença o forçou a tomar providências que jamais imaginou que teria que fazer aos 35 anos _ como seguro de vida para a família _ ao mesmo tempo em que trouxe a consciência de que – mais do que nunca – é preciso aproveitar o momento:

— Não há cura para a doença, mas posso lutar pela minha qualidade de vida. Quero fazer as mesmas coisas de sempre fiz. Faço questão de continuar trabalhando porque minha qualidade de vida não é ficar em casa. Aqui é a minha segunda família. Não era de chorar, mas depois disso (da ação dos colegas) fiquei mais emotivo — admite.

Outro aprendizado com a nova condição: Rodrigo se diz hoje um profissional mais humano e que se coloca no lugar do paciente:

— Penso que aquele paciente poderia ser eu. Passei a valorizar mais meu tempo, a passar o maior tempo possível com a família. Faço mais as coisas que eu quero fazer e não me preocupo mais tanto com os coisas mesquinhas.

“Estamos fazendo isso pelos sonhos que ele tem”

Colegas e amigas de Rodrigo, as enfermeiras Patricia Spies Py, 26 anos, e Shirley Belan Sousa, 29 anos, encabeçaram a mobilização para juntar o dinheiro. Da equipe do pós-operatório do Cardiologia, a iniciativa rapidamente se espalhou pelas demais áreas do hospital. Em poucas horas, equipes médicas e colegas de outros setores passaram a ajudar. Dois dias depois de abrir a vaquinha online, a meta já estava cumprida.

— Queríamos fazer qualquer coisa para ajudá-lo, uma festa, um sorteio, uma rifa. Não íamos ficar só assistindo. Estamos fazendo isso pelos sonhos que ele tem, pelo que ele ainda quer viver — justifica Patrícia.

Até ontem, já haviam sido arrecadados mais de R$ 9 mil, com outros R$ 1,9 mil a confirmar. Com o valor, é possível fazer praticamente duas aplicações de meta-iodo. Patricia e Shirley comemoram o resultado da ação que começaram timidamente:

— Todo mundo se juntou para ajudar, nem imaginávamos que teria tanta adesão. Acho que a vontade que ele tem de viver nos incentivou — diz Shirley.

A força de vontade de Rodrigo também inspira os colegas, que se orgulham do desempenho do técnico de enfermagem, há cinco anos no Cardiologia:

— Poucas pessoas aguentam trabalhar e trabalham tão bem como ele. Ele é extremamente cuidadoso. Podemos confiar a ele os pacientes mais graves que sabemos que ele dá conta _ afirma Patricia.

fonte: zh noticias

 

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